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Segurança e regulamentação

Segurança nos pagamentos digitais: boas práticas para empresas

Marina Costa5 min de leitura
Teclado com cartões de crédito e cadeado representando segurança nos pagamentos digitais

Conheça as melhores práticas de segurança para proteger seus dados e os de seus clientes em transações online.

Segurança em pagamentos digitais não depende só da tecnologia contratada. Na prática, a maior parte dos problemas começa em processos simples: uma senha compartilhada, um acesso antigo que nunca foi removido, um dado de cartão anotado em lugar errado ou um e-mail que parecia legítimo.

Este artigo reúne as boas práticas que reduzem risco na operação de pagamentos de uma empresa, com foco no que dá para implementar sem grandes projetos.

Os riscos mais comuns na operação

  • Uso indevido de cartão: compra com dados de terceiros, testagem de cartões e contestação indevida.
  • Engenharia social: golpes que convencem alguém da equipe a liberar acesso, pagar um boleto ou informar um código.
  • Vazamento de dados: exposição de informações de clientes por falha em sistema, planilha compartilhada ou arquivo sem controle.
  • Falha interna: acesso excessivo, falta de alçada e ausência de trilha de auditoria.
  • Contas comprometidas: senha reutilizada, sem segundo fator de autenticação.
  • Fraude de identidade: cadastro feito com documento ou empresa falsa.

Conhecer o próprio risco é o primeiro passo. Empresas com volume alto de transação, atendimento remoto e muitos acessos ao sistema financeiro precisam de controles mais rígidos que um negócio de balcão com equipe fixa.

Autenticação e controle de acesso

  • Ative autenticação multifator em todos os sistemas que tocam dinheiro ou dados de cliente.
  • Aplique o princípio do menor privilégio: cada pessoa acessa apenas o necessário para trabalhar.
  • Revise acessos periodicamente e remova, no mesmo dia, o acesso de quem sai da empresa.
  • Evite conta compartilhada e senha em papel, em grupo de mensagem ou em documento aberto.
  • Registre quem aprova o quê, com alçadas por valor.

Tokenização e o que não guardar

A tokenização na captura de pagamentos substitui o número do cartão por um token, o que reduz a exposição desse dado. Mesmo assim, a regra mais útil continua sendo: não armazene o que você não precisa.

Se a sua empresa guarda número de cartão, código de segurança ou dado bancário de cliente em planilha, sistema próprio ou anotação, trate isso como prioridade. Além do risco de fraude, há a responsabilidade prevista na LGPD sobre dados pessoais.

Monitoramento e detecção

Fraude detectada cedo custa menos. Vale ter:

  • Regras de alerta para padrões incomuns, como muitas tentativas de pagamento em pouco tempo.
  • Conferência diária de entradas, devoluções e contestações.
  • Revisão de cancelamentos e chargebacks, para identificar se há um padrão por produto, canal ou região.
  • Registro de logs de acesso e de operações sensíveis.

Terceiros e integrações

Boa parte da operação de pagamentos depende de parceiros: gateways, adquirentes, plataformas de e-commerce e sistemas de gestão. Antes de contratar, verifique certificações, política de segurança, quem tem acesso aos seus dados e como a empresa parceira trata incidentes. O contrato precisa dizer o que acontece em caso de falha.

Quando o parceiro processa dados de cartão, uma referência útil é o padrão PCI DSS, que organiza requisitos de proteção para quem armazena, processa ou transmite dados de cartão.

LGPD e proteção de dados

A LGPD, Lei nº 13.709/2018, define como dados pessoais devem ser tratados. Na prática, para a área de pagamentos, isso significa coletar apenas o necessário, informar a finalidade, definir quem acessa, manter registro das operações e ter cuidado extra com dado sensível.

Em caso de incidente de segurança que possa causar risco ou dano relevante aos titulares, a lei prevê comunicação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e aos titulares, nos termos e prazos definidos pela autoridade. Vale ter esse procedimento escrito antes de precisar dele.

Resposta a incidentes: o que ter pronto

  • Lista de contatos de emergência, com quem decide e quem comunica.
  • Passo a passo para bloquear acessos e interromper a origem do problema.
  • Registro do ocorrido, com horário, origem e impacto.
  • Orientação de comunicação para clientes afetados, sem alarme desnecessário e sem omitir informação relevante.
  • Revisão pós-incidente, para corrigir a causa e não apenas o sintoma.

Treinamento do time

A maior parte dos golpes depende de convencer uma pessoa. Treinamento periódico com exemplos reais, teste de mensagens falsas combinado com o time e uma regra simples de "na dúvida, confirme por outro canal" reduzem muito o risco. A Cartilha de Segurança para Internet, do Cert.br, é um material gratuito e útil para essa formação.

Checklist mínimo para esta semana

  • Autenticação multifator ativa nos sistemas financeiros.
  • Lista de acessos revisada, sem conta compartilhada.
  • Nenhum dado de cartão em planilha, papel ou anotação.
  • Alerta configurado para movimentações fora do padrão.
  • Procedimento de incidente escrito e conhecido pelo time.

Segurança é rotina, não projeto com data de término. Além disso, ela conversa diretamente com prevenção à lavagem de dinheiro, que trata das obrigações de cadastro, monitoramento e registro.

Para centralizar o recebimento com controles organizados, conheça as soluções de pagamento da Revenue Pay ou fale com um especialista.

Fontes e leitura complementar